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quinta-feira, 28 de abril de 2016

AUMENTA PRESSÃO PARA QUE ANATEL DEIXE DE REGULAR A QUESTÃO DE BANDA LARGA FIXA


Um período de emoções fortes também nas telecomunicações, e não apenas no cenário político nacional. Desde a semana passada, depois de a Anatel adotar uma medida cautelar que fazia  exigências de transparência  sobre os pacotes de banda larga fixa a serem oferecidos aos usuários, essa iniciativa acabou sendo suplantada pelas declarações do presidente João Rezende na entrevista coletiva, que decretou o fim da “internet ilimitada”,  e responsabilizou  as empresas e os usuários brasileiros por jogarem muitos games, por essa, digamos, irresponsabilidade consumerista. E o mundo veio abaixo.
Não apenas os órgãos de defesa dos consumidores contestaram suas declarações, nem apenas os heavy users, nem (quase) todos os internautas. A Presidente da República, o Ministro das Comunicações, os líderes da oposição, da situação, dos contra o golpe, dos a favor do impeachment,  o senador do PMDB, o deputado do PSDB, a OAB,  diferentes comentaristas, jornalistas dos mais diferentes veículos. Ataques ao site da Anatel com intensidade jamais vista, tirando o portal da agência do ar por várias horas. Memes de João Rezende nas redes sociais. Campanhas pelo impeachment de Rezende. Um milhão de assinaturas recolhidas em dois dias pela internet ilimitada.
E a Anatel recuou., o conselho diretor comunica que decidiu, em circuito deliberativo, publicar nova cautelar por tempo indeterminado, proibindo que as empresas tomem qualquer atitude no sentido de cortar ou reduzir a velocidade da internet após o término da franquia, seja em  contratos antigos, novos ou futuros. João Rezende ficou completamente isolado. Mesmo as operadoras, que deveriam ser as primeiras a explicar o que estava acontecendo, caladas ficaram e vão permanecer assim. Também não se entendem. Algumas estavam furiosas com todo o ocorrido. Afinal, decretar o “fim da internet ilimitada” seria entrar em uma seara que não é muito o papel do Estado. A oferta de banda larga continua a ser um serviço privado, lembram as empresas, e, se vai ter ou não franquia, limite de consumo, ou consumo ilimitado, deve ser uma decisão empresarial.
Ficou claro com essa celeuma que, para a sociedade , para o governo  e para o ministro André Figueiredo, a banda larga é mais do que um serviço privado, é um direito, e terá que ter salvaguardas, a serem estabelecidas na nova modelagem regulatória. Com a repercussão política que gerou, ficou claro também que este é um tema sensível demais para ser tratado apenas como uma questão setorial, e passa a ser encarado como um direito universal. Na mesma sexta feira, a Procuradoria do Distrito Federal foi a Anatel e saiu de lá afirmando que iria instaurar inquérito civil para apurar a legalidade da resolução da Anatel. 
Um dos pontos questionados pelo MPF foi a medida cautelar emitida pela Anatel para proibir empresas de limitar o acesso de usuários da banda larga fixa sem aviso prévio e sem oferecer ferramentas que permitam acompanhar o consumo de dados. Para a 3ª CCR, há indícios de que a agência tenha adotado posicionamento favorável às empresas, sem a segurança de que o consumidor será beneficiado.
Para José Elares Teixeira, a medida cautelar tem efeitos limitados, já que endossa a proposta das empresas telefônicas e não proíbe a venda por franquia. “A medida tem por finalidade, única e exclusivamente, fornecer informações aos consumidores. Nada mais”, reforça Elaeres.
E é por isso que entidades como a Proteste, por exemplo, já não querem mais apenas continuar na mobilização pelo fim da franquia. Em sua nota de hoje, 25, a entidade explicita a posição de que ”  a Anatel sequer tem competência para tratar da questão. Por ser classificada como serviço de valor adicionado, diferente de telecomunicações, a internet fica fora das atribuições da Agência.  ”Esse episódio de tentativa de limite à internet fixa comprova o poder econômico das operadoras que preferem a Anatel regulando a internet, pois neste ambiente têm mais controle sobre o processo regulatório”, destaca Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da entidade. Para a Proteste, o Marco Civil da Internet estabelece que a governança se dará por mecanismos multiparticipativos.
A questão, contudo, é que banda larga é serviço de telecomunicações, conforme estabelece a Lei Geral de Telecomunicações. E todas as redes e serviços de telecomunicações são reguladas pela Anatel. Antes do recuo de sexta-feira, dia 22, da Anatel, o Ministério das Comunicações tinha anunciado que estava negociando com as operadoras a elaboração de uma carta-compromisso sobre os princípios das ofertas dos planos de banda larga, mas agora, conforme fontes do Minicom, estão avaliando quais os próximos passos.
fonte : telesintese

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Estudo da Nielsen Aponta Mudanças No Hábito de ver TV

As formas de ver conteúdo de televisão estão mudando e os consumidores brasileiros estão a par desta realidade. No país, quase 7 em cada 10 entrevistados dizem ver programação Video On Demand (VOD), enquanto a média na América Latina é de 6 por 10, de acordo com o mais recente Estudo Global da Nielsen sobre  Vídeo Sob Demanda.
Quando questionados sobre qual tipo de serviço que atualmente pagam para assistir a programação televisiva, de VOD ou de ambos, a assinatura de TV a cabo se destaca com 56% na região latina e com 47% no Brasil. O serviço online está ganhando importância, mas ainda não é muito expressivo, mantendo-se em 23%, embora seja um dos mais altos na região.
"As opções atuais são tão variadas que, hoje, sentar-se na frente da tela na sala e esperar o programa favorito começar no horário definido não é mais o que os consumidores esperam. O crescimento da programação de vídeo sob demanda traz diversas opções nas quais os espectadores podem baixar ou transmitir conteúdo a partir de um pacote de TV tradicional ou de uma fonte online, criando grandes oportunidades para os consumidores, que agora têm mais controle do que nunca sobre o que, quando e como assistir", diz José Calazans, consultor de mídia da Nielsen Brasil.
Entretanto, entre os entrevistados latinos, os brasileiros, depois dos chilenos, são os que mais planejam cancelar suas assinaturas de TV a cabo e/ou satélite em troca de serviços apenas online (27% vs. 24% da média da região). O impacto a longo prazo do crescimento de assinaturas de serviços online é ampliado, principalmente por sua popularidade entre os consumidores mais jovens das Gerações Z (15-20) e Millenials (21-34). De qualquer forma, o estudo mostra que, atualmente, os serviços online e tradicionais não são mutualmente exclusivos, mas sim complementares. "A popularidade crescente de serviços de vídeo somente online continuará a exercer pressão sobre as redes e sobre os distribuidores multicanal de programação de vídeo, mas uma substituição em massa de um para o outro é improvável. Esse estudo mesmo mostrou que apenas uma pequena porcentagem dos que expressaram o desejo de cancelar o serviço multicanal realmente o fez", comenta Calazans.
De acordo com o estudo, o computador e o celular são os dispositivos mais utilizados pelos brasileiros para ver VOD. Enquanto a média na América Latina de uso de celular para assistir VOD é de 57%, no Brasil esse número aumenta para 61%. O computador, na liderança, é usado por 81% dos latinos e dos brasileiros - um percentual bem expressivo. Outro dado interessante do estudo é que 23% dos entrevistados latinos assistem VOD mais de uma vez por dia e os brasileiros, 24%.
Quando questionados sobre que tipos de vídeos sob demanda assistem mais, os entrevistados brasileiros preferem filmes (89% vs. 88% na região), séries (54% vs. 54%), documentários (42% vs. 45%) e comédias (42% vs. 40%). Programas de TV, esportes, programas infantis e de culinária, dramas e outros também aparecem na lista, mas com porcentagens menores.
Há vários motivadores sustentando o crescimento dos serviços VOD, e um deles é a conveniência. Com 82% de consentimento, a América Latina é a região onde os consumidores dizem que assistem VOD porque podem visualizar o conteúdo em um momento mais conveniente e de onde quiser. Esse índice chega a 84% no Brasil, um dos mais altos do mundo encontrados na pesquisa que comparou 61 países em todos os continentes. Os entrevistados latinos também dizem que gostariam de ter mais opções de vídeo sob demanda. Na região, o índice médio de concordância com esse desejo é de 73% e, no Brasil, 72%.
Mais opções de programação também significam mais mensagens publicitárias. Os consumidores têm contato com um número muito maior de anúncios, porém no Brasil a sensação de saturação é bem menor que a média global. No mundo, 62% dos entrevistados que veem VOD concordam plenamente ou parcialmente que os anúncios online antes, durante e depois da programação VOD causam distração. No Brasil, esse índice é de 51%.
"Pela pesquisa, os anúncios brasileiros conseguem uma melhor aceitação, mostrando aos anunciantes que os consumidores veem valor na publicidade. Entretanto, o valor da proposta precisa estar correto", explica Calazans. "Os anunciantes com maior impacto de marca e vendas serão, naturalmente, aqueles que levarem mensagens relevantes sobre produtos e serviços para as pessoas certas", complementa o consultor. Além disso, 58% dos entrevistados que assistem VOD estão mais ou menos de acordo ou totalmente de acordo que os anúncios em conteúdo VOD lhes dão boas ideias para testar novos produtos ou para prová-los, e mais da metade (66%) diz que não se importa em receber anúncios em troca de usufruir do conteúdo gratuitamente.
Fonte: adnew