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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Beneficiários do Bolsa Família ganham kit de TV digital

Campanha foi determinada pelo Ministério das Comunicações às concessionárias de canais de televisão
A família de Ana Cláudia Souza de Jesus, de 23 anos, foi uma das primeiras inscritas no Bolsa Família a ganhar um kit gratuito para instalação daTV digital em casa. "A imagem ficou bem melhor e o som, perfeito", conta. Segundo ela, sem chiados e chuviscos, ficou bem melhor acompanhar programas evangélicos. "Novela aqui em casa só Os Dez Mandamentos", faz questão de deixar claro.
Ana Cláudia mora com o marido e a filha em Rio Verde, a 250 quilômetros de Goiânia. Os mais de 6,6 mil beneficiários do programa de transferência de renda da cidade são os primeiros a receber o kit porque o município goiano terá o primeiro "apagão analógico" do Brasil, marcado para 29 de novembro.
Até 2018 - quando se encerrará o processo de migração da TV analógica para a digital em todo o País - todas as famílias beneficiárias vão receber essa espécie de "bolsa TV digital" com conversor, controle remoto, cabos e antena de recepção.
O valor de cada kit que está sendo entregue é de cerca de R$ 160. O custo para a compra e a distribuição de todos os equipamentos as 14 milhões de famílias responde por 70% do orçamento de R$ 3,6 bilhões da EAD, entidade criadas pelas empresas que venceram o leilão do 4G na faixa de 700 megahertz (MHz), frequência hoje usada na transmissão de canais de TV aberta em tecnologia analógica.
As operadoras Claro, Vivo, TIM e Algar têm interesse em "limpar" a frequência porque precisam usar essa infraestrutura para comercializar o serviço de 4G no País, cerca de dez vezes mais rápido do que o 4G, segundo os especialistas. A universalização da TV digital - garantir que 93% dos domicílios possam receber os sinais da nova frequência - é uma exigência para o desligamento do analógico.
De acordo com o IBGE, 91,3% dos lares mais pobres do País - na faixa de renda dos beneficiários do programa - têm televisão. Em Rio Verde, 67% das famílias que ganham Bolsa Família já agendaram o recebimento dos conversores por meio do telefone 147. Dessas, a metade já pegou o kit, segundo Antônio Carlos Martelleto, diretor executivo da EAD. Brasília (168 mil famílias) e São Paulo (800 mil) são as próximas cidades onde serão entregues os kits, de acordo com o cronograma de desligamento do sinal analógico.
"O acesso dos beneficiários do Bolsa Família à TV Digital é importante para não deixar essas pessoas no escuro. Eles estão em condição de vulnerabilidade social, não teriam condição de adquirir o conversor com o dinheiro deles", diz o economista Helmut Schwarzer, secretário Nacional de Renda de Cidadania, responsável pela gestão do Bolsa Família.
Ana Cláudia diz que usa os R$ 112 do dinheiro que recebe todo mês do Bolsa Família para comprar coisas para a filha de um ano. O marido dela trabalha fazendo bicos como auxiliar de pedreiro. O kit com conversor e antena chega a custar R$ 220 em Rio Verde .
Schwarzer ressalta que a TV digital se transforma em mais uma forma de o ministério se comunicar com os beneficiários do programa por meio da tecla Ginga, que abre uma espécie de aplicativo do Bolsa Família, com as datas de pagamento dos benefícios e as condições de acesso ao programa. Segundo o secretário, a principal dúvida sempre foi em relação à data exata do pagamento, que é feito sempre nos dez últimos dias úteis do mês, de acordo com o número do cartão.
Ele reconhece, porém, que é preciso atualizar a tecnologia para permitir ao ministério enviar mensagens personalizadas a cada um dos beneficiários, que permitiria, por exemplo, solicitar o recadastramento ou exigir o cumprimento da frequência escolar. 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Decisão sobre adiamento do switch off de Rio Verde sai na primeira semana de novembro

O ministro das Comunicações, André Figueiredo, disse que na primeira semana de novembro será decidido se haverá ou não alteração na data de desligamento do sinal analógico de TV em Rio Verde (GO).
 "Nenhuma decisão será tomada sem um amplo diálogo entre as teles e a radiodifusão", afirmou. 
O ministro disse que vai pessoalmente ao município goiano para acompanhar o processo, mas acha difícil que a meta de 93% dos domicílios aptos a receber o sinal digital seja alcançada até o dia 29 de novembro, data marcada para o desligamento.
Figueiredo disse que ainda não está convencido de que será necessária uma postergação no cronograma de Rio Verde, mas caso haja, não será por muito tempo. "O cronograma tem que ser observado e perseguido, a não ser que aconteça algo que seja considerado um obstáculo intransponível para evitar prejuízos para o cidadão, prejuízos para aqueles que não estão com a migração completa, a meta não é de se postergar o prazo final de 2018, talvez dentro desse prazo tenham alguns ajustes", disse o ministro.
A reivindicação dos radiodifusores, já apresentada ao ministro, é de desatrelar a entrega da faixa às teles do desligamento do sinal analógico da TV. Com isso, as operadoras poderiam implantar a banda larga 4G em perto de cinco mil municípios, que poderiam ter o sinal analógico de TV mantido até 2022. Já as teles defendem que para se alcançar a meta de 93% dos domicílios aptos a receberem o sinal digital, sejam considerados atendidos os lares com TV por assinatura ou por satélite. Também querem que o governo determine aos radiodifusores a inclusão na programação de uma campanha mais agressiva sobre o desligamento do sinal.
O ministro das Comunicações admite que todas essas questões estão sendo examinadas. "A gente não vai tomar nenhuma decisão açodada, quero ouvir as teles e a radiodifusão, para que não haja prejuízos para o cidadão, mas que haja a garantia de um compromisso efetivado com as teles, que investiram um valor significativo, foi arrecadado muito para isso, e o que nós queremos é saber como está entrega de sep-top box para os beneficiários do Bolsa Família, ter acesso a pesquisas para ver como está a adesão do público C e D, que não vai receber a caixinha, mas também vai precisar desprender um valor alto e agora é difícil fazer investimento", disse Figueiredo